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sábado, 26 de maio de 2012

Sonhos de Uma Criança em Itararé







Eu era o menino
Que sonhava incendiar barcos de papel de pão
Assumir a bússola, o sextante, o timão
E com a nave louca desgovernada
Ganhar o corrimão da enxurrada...


Eu era o guri
Que olhando o céu de Itararé tão infinito
Ainda assim fazia pito-carito
Pois eu tinha um sonho altaneiro, bonito
De ser poeta, vencer, ter floração
Muito além daquela constelação


Eu era um piá
Em Itararé – a beira do Paraná
Que tinha loucas ilusões, fantasias...
Em deixar a terra-mãe onde canta a sabiá
E todas as minhas conquistas e vitórias teria
Vivendo de cervejas, de serestas e de poesia...


Mas veio a baldeação da florada da vida
O curumim sentindo fome e a alma dividida
Garrou o mundo em busca de diploma, arco-íris, anel
Mas sofrido descobriu-se um dia de luta descabida
Que ainda é só aquele pobre menino do barco de papel
E o incêndio é a saudade de uma distante Itararé querida!



Silas Correa Leite – E-mail: poesilas@terra.com.br

CHOVE

CHOVE...CHOVE...CHOVE...
NOS CAMPOS DA MINHA TERRA
ASSIM DO ALTO
CONSIGO AVISTAR OS MONTES MAIS LONGES
VERDES...VERDINHOS
CHOVE...CHOVE...CHOVE...
E OS PINGOS ...
AS GOTAS CAEM SOBRE OS CAMPOS VERDES
A VIDA FICA MAIS INTENSA
A ALEGRIA MAIS COLORIDA
O DIA MAIS CLARO
MAIS ILUMINADO
CHOVE...CHOVE...
NOS CAMPOS QUE VEJO DE MINHA JANELA
NOS CAMPOS VERDES DE MINHA TERRA
O JÕAO-DE-BARRO
EM SUA CASINHA NO ALTO DA ÁRVORE
CANTA...CANTA...
SAÚDA A CHUVA
E...CANTA
ENCANTA
EMOCIONA
TODO O CAMPO VERDE
QUE VEJO DE MIONHA JANELA
TUDO É LÚZ
TUDO É ALEGRIA
TUDO É VIDA.
   

     elizabeth rodrigues







Soneto de Corifeu                                  
(da peça Orfeu da Conceição)
São demais os perigos dessa vida
Para quem tem paixão, principalmente
Quando uma lua surge de repente
E se deixa no céu, como esquecida
E se ao luar, que atua desvairado
Vem unir-se uma música qualquer
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher
Uma mulher que é feita de música
Luar e sentimento, e que a vida
Não quer, de tão perfeita
Uma mulher que é como a própria lua:
Tão linda que só espalha sofrimento,
Tão cheia de pudor que vive nua.
( Vinícius de Moraes )
vinicius-de-moraes-rosto     

domingo, 6 de maio de 2012

     ÉRAMOS QUATRO NUM QUARTO

Éramos quatro num quarto:
Guta ,Paulo ,Erasmo e eu ;
quarteto de alegres sonhos,
até que Erasmo morreu.

Paulo era forte e bonito,
mais forte que Guta e eu ;
sôbre êle também a morte ,
como um raio se abateu.

Ficamos dois : eu e Guta -
outros vivem mar além -
mas o certo é que conosco
veio morar mais alguém.

Veio morar a saudade,
que só nos falou depois :
que éramos quatro num quarto,
mas agora somos dois !

gióia junior